quarta-feira, 22 de março de 2017

A àrvore da vida- Resenha do livro "Longe da Arvore" de Andrew Solomom

             A Árvore da Vida

                O livro “Longe da Arvore”, de Andrew Solomon traz para nós uma importante reflexão sobre como a sociedade vê os diferentes, que por fugirem a norma, são marginalizados, de alguma forma, mesmo que a sociedade, em seu caminho de amadurecimento já consiga falar de inclusão e proporcionar a alguns desses nichos a oportunidade de iniciar a trajetoria de ascensão social, através de um emprego, possibiblidade de interagir com outras pessoas neste ambiente, melhorar sua autoestima desenvolver -se plenamente, numa relação bio-psico-social.
              Ler cada capitulo do livro é como tentar resolver aquelas charadinhas infantis do tipo “o que é um pontinho amarelo no meio do mar?” É conhecer um pouco de cada grupo social desse: Autistas, Surdos, Deficientes Fisicos, Esquizfrênicos, Vitimas de estupro e seus filhos, Criminosos, Crianças Prodigio, Anões, Sindrome de Down, Trangeneros, tanto pela parte superficial, visivel a quanto pelos questionamentos, regras e caminhos mais internos norteadores dessas comunidades.
           O que me chamou bastante atençao foi o fato de que por mais distintas a natureza e a dinâmica desses grupos sociais, há muito em comum tanto no olhar interno, ou seja, na visão daqueles integrantes militantes das causas de cada grupo como no olhar externo, da sociedade como um todo. Há todo um processo psiquico que se compararmos encontraremos muitos pontos de contato: Há o estranhamento inicial, às vezes há rejeição, e depois a decisão: ou aceita-se o sujeito como ele é e o acolhe, ou como acontece em casos em que a família percebe que o desafio é muito grande para ela: O institucionaliza. Os caminhos são parecidos, mas como as da folha de uma arvore, seguem ramificaçoes diferentes.
             O caminho para que conheçamos essas minunciosas semelhanças , desenrola-se como uma espiral. É bem comum que existam polêmicas como a resolução de se fazer (ou não) numa criança surda a cirurgia do Implante Coclear,o alongamento dos membros, no caso dos anões ou a cirurgia de mudança de sexo nos jovens e adultos trangeneros, só para citar alguns exemplos.
             A polêmica muitas vezes se expressa no fato de que, excetuando a cirurgia de mudança de sexo, que só é permitida em jovens já maduros, as outras duas intervençoes são feitas quando o indivíduo ainda é um bebê, no caso do implante coclear ou na transição da infancia para a adolescência , no caso do alongamento dos membros, afim de que se possa aproveitar o desenvolvimento neurológico e fisico, respectivamente e assim ter um resultado melhor das intervençoes. Se por um lado essa decisão pode colaborar para uma qualidade de vida melhor dos pacientes, há quem diga também que essas são formas de extinguir a população Surda, Anã ou de Transgeneros.
               Já as diferenças aparecem na gravidade de cada caso, sob o ponto de vista clinico, nas dificuldades encontradas pelos familiares do sujeito em questão(Pessoa Surda, com Deficiência, ou com alguma questão de gênero, etc) para construir sobre e com ele uma boa visão e uma relação tanto afetiva, como colaborativa que contribuirá - e muito- para o desenrolar sempre contínuo do processo dele de encontrar o seu lugar no mundo. É o amor e a energia que os familiares e profissionais empregam para a construção do olhar desse sujeito sobre si mesmo e sua condição no mundo, em outras palavras, da sua identidade. Afinal de contas, as singuaridades que tornam o sujeito único devem ser observadas e respeitadas.
                Identidade esta que se solidifica na medida que se consegue ferramentas psicoemocionais para forjar (só para utilizar uma palavra usada por Solomon em uma de suas falas em video assistidas complementariamente à leitura do livro.) as más experiências em boas e abrir caminhos para compartilhar as suas experiências com outras pessoas, pois afinal, ninguém está sozinho nesse mundo.- É nesse processo que as pessoas constroem a sua caminhada.
           Outro ponto inportante, é que, essa pesquisa feita pelo autor, juntamente com uma equipe enorme de colaboradores, acaba modificando a sua forma de enfrentar os seus desafios existenciais, como ele bem relata- de forma emocionante- no fim do livro. Observar, refletirmos em como nosso trabalho pode ser produtivo para outras pessoas e nos empenharmos para que tudo dê certo nos ajuda a crescer como seres humanos.
              E, antes que eu me esqueça, o que é um pontinho amarelo no meio do mar? Rufles, a batata da onda! Pensar na resposta desta adivinha, somada à toda a experiência da leitura desse livro me faz lembrar o quanto é importante termos um tempinho para observar as pequenas coisas... De pequenas elas nos fazem ver qual é o nosso lugar no mundo. Viver, ajudar e aprender com os outros a sermos felizes!

Nenhum comentário:

Postar um comentário