quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Livro "Vida Minha Experiências e dicas" faz 20 anos

Gostaria de começar esse texto fazendo uma advertência. Não sou a favor da gravidez precoce, mas apoio de pés juntos um outro tipo de gestação, a qual chamarei de “Gravidez Criativa”- e no caso aqui descrito - precoce.
Precoce porque surge em um tempo em que há ainda muita fantasia e imaginação sobre o que se quer ser quando crescer: A criança que pensava em ser dentista pode vir a ser professora na vida adulta, por exemplo. E outra coisa: Menino também pode ter uma “gravidez criativa.” Um exemplo bem interessante de gravidez criativa é o de Alexandre Zaider Landin, que aos 7 anos de idade escreveu um livro para ajudar a sua irmã Rafaela, que tem paralisa cerebral. Ela precisava usar òculos, mas não queria, com o argumento de que as Princesas dos Contos de Fada não os usavam. Ele escreveu uma história de uma princesa que usava óculos. A irmã, depois de ler a história, passou a usar esse objeto que aperfeiçoa a visão. Não sei se Alexandre Landin teve outros “filhos criativos” depois desse livro, mas...
O caso é que eu tive uma “Gravidez Criativa”, aliás, duas no mesmo ano. Sim, eu era um pouco mais velha que o Alexande Landin quando publiquei o meu primeiro livro. Aos 13 anos de idade escrevi o “Vida Minha- Experiências e dicas”. Depois compus uma canção que ganhou o festival de música da escola em que estudava. Mas esta história fica para um outro texto.
Hoje 22 de Fevereiro de 2018 esse meu “primeiro filho” completa seus 20 anos de idade. O nome (titulo) foi escolhido pelo avô, meu pai. Os assuntos dos capítulos surgiram durante viagem para Garapuá, lugarzinho bonito, perto de Valença com praia, ar puro, natureza, silencio só encontrado na cidade grande por meio da introspecção.
Eu podia não saber falar dificil - IN- TROS- PEC-ÇÃO. Mas já sabia como era gostoso relaxar, respirar fundo, ouvir música e (ouvir) o silêncio. Algumas das minhas reflexões eram: “A televisão ajuda a educar?”; “Escrever o que a gente pensa é muito bom”; “Tomar muito sorvete no verão é bom?”; “As cores são muito importantes para a nossa vida”; e fiz uma homenagem ao Egito Antigo com a minha versão para a história da “Origem dos números”.
Somando de pouqinho em pouqinho, foram 14 mini-cronicas (que eu só vim a saber que eram crônicas quando recebi o documeno do registro dos direitos autorais feito na Biblioteca Nacional) e um conto. Gerados em 4 dias, depois de um daqueles desejos tipicos de grávida criativa: “Pai, eu quero escrever”. Insisti tanto que ele me deu uma agenda velha. E lá fui eu pra debaixo de uma amendoeira defronte do mar, que contemplava por alguns instantes e colocava a caneta em ação sobre a agenda velha....
Fiz amizade com uma menina nascida em Garapuá, Iraildes dos Santos Pimentel, e escrevemos juntas o capitulo sobre as parlendas - tipo de poesia popular que eu gostava muito.
Foi um processo bom, gostoso de fazer e sentir, ficou mais bonito ainda com as ilustraçoes do meu amigo Gabriel César dos Santos, com a ediçâo gráfica de Washington Falcão, da Idea Desingn e com a foto da minha amiga Ieda Marques.
Filho, mamãe ama você, continua circulando por ai, fazendo companhia para outras crianças. Quem sabe se não aparecem outras gestações criativas?\

terça-feira, 25 de abril de 2017

CRI, CRIAÇÃO, CRIANÇA, TEMPO
Por: Huna Pires*

Falar sobre o tempo através da arte é ao mesmo tempo trabalhoso e lúdico. Trabalhoso porque o assunto é muito extenso, com inúmeras interpretações, e muitas formas de exemplificar a matéria. Lúdico, porque, dependendo da maneira como é exposta a temática, pode promover uma relação de inteira absorsão na conversa, tanto por parte do espectador com os atores, ou mediadores do evento, no caso os atores Benim Ortiz e seu colega Ricardo Fagundes no espetáculo CRI- O HOEMEM E O TEMPO, que cumpriram muito bem a sua tarefa.
O tempo, quer queira, quer não, permite a construção de todas as coisas, sejam elas no plano da criatividade, do afeto, do ato de aprender, da espiritualidade. E cada setor desse tem uma relação muito própria com o tempo e estas, exigem daquele que disserta sobre elas muito tato e sensibilidade para escolher os exemplos mais didáticos, afim de que o publico possa comprende-las não só utilizando a ferramenta intelectual, mas a sensorial, afetiva, e se tiverem a abertura necessária, espiritual também e isso a equipe da peça fez bem, utilizado cenas do cotidiano, a música, a dança as expressões afetivas.
É interessante observar, inicialmente, que o espetáculo já começa num tempo que às vezes o publico não tem acesso: o aquecimento dos atores. O aquecimento representa o inicio de uma crianção (artística) e que muitas vezes não nos damos conta da existência dessa preparação, os produtos frutos dessas criaçoes muitas vezes já nos chegam prontos.
Um bom exemplo que se encontra no enredo da peça é a silaba CRI. Pode ser a onomatopéia que designa o som do Grilo- a imagem de tal inseto me remeteu ao personagem do Conto Italiano Pinocchio, que representa a importância e a presença do tempo no processo evolutivo do boneco de madeira- como pode ser uma giria Cri-cri- ( um sujeito chato, de conhecimento limitado) e mais surpreendente ainda: Uma silaba, que com o passar do tempo, gerou outras palavras: criação, criança, só para ficarmos no campo semântico da temática do espetáculo.
Estamos tão conectados com o tempo, embora nosso estilo de vida ocidental não facilite muito essa percepção da conexão, que a escolha de um autor oriental para mediar essa reflexão, o Indiano Kalil Gibran foi muito interessante. E embora eu não conheça a obra do referido autor, a experiencia com essas considerações expostas no espetáculo foram bem pertinentes.
As cenas cotidianas facilitam o contato com do publico com o tema, porque, muitas vezes o espectador já teve alguma relação adulto-criança, mesmo que não seja pai ou mãe de uma criança, pode ser um médico, um professor, um tio, um irmão, um avô. Que exemplo tão rico da expressão do tempo a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento humano de um bebê! Muitas vezes nos pegamos surpreendidos com os argumentos das crianças em determinadas situações- e então- nos damos conta de como o tempo passou.
A música aparece através de ritmos totalmente diferentes: O Baião, o Tango e a os temas Ritmicos Africanos. A duração de cada um- O Tamgo mais lento que o Baião e os Ritmos africanos mais rápidos que os dois anteriores, nos faz perceber auditivamentente e visualmente, através da dança, a flexibilidade do tempo, para se expressar com harmonia nos mais diferentes espaços, entre silencio e som. Também, ainda que diminuta, encontramos a presença da poesia, no momento em que Ricardo Fagundes recita um trecho da letra de “Wave”, do Maestro Tom Jobim, frase por frase, as quais são permeadas pelas frases melódicas correspondentes, mostrando a proeza do homem de adestrar o som para a sua lingugem.
As expressões afetivas, mostram o caminho que a forma de expressão do amor vem evoluindo com o tempo- e graças a ele- ainda que em um ritmo lento caminhamos para o momento em que a aceitação das relações homoafetivas- não só destas- mas das diferenças humanas se torne cada vez mais natural, isso depende do tempo também, que colabora para o avanço do nosso desenvolvimento psicologico e espiritual.
Caminhar com esses atores bem preparados fisica e vocal, e emocionalmente e com a direção acertada de Mauricio de Assunção, é uma oportunidade impar de refletir sobre nossa relação com o tempo de forma intima e profunda. Obrigada meninos, pela oportunidade, aos meus leitores, ,Fica a minha dica ai pra vocês.


*Huna Pires é Graduada em Letras Vernáculas pela UCSAL, Escritora e com Especialização em Psicopedagogia Clinica e Institucional pela Faculdade São Bento da Bahia

quarta-feira, 22 de março de 2017

A àrvore da vida- Resenha do livro "Longe da Arvore" de Andrew Solomom

             A Árvore da Vida

                O livro “Longe da Arvore”, de Andrew Solomon traz para nós uma importante reflexão sobre como a sociedade vê os diferentes, que por fugirem a norma, são marginalizados, de alguma forma, mesmo que a sociedade, em seu caminho de amadurecimento já consiga falar de inclusão e proporcionar a alguns desses nichos a oportunidade de iniciar a trajetoria de ascensão social, através de um emprego, possibiblidade de interagir com outras pessoas neste ambiente, melhorar sua autoestima desenvolver -se plenamente, numa relação bio-psico-social.
              Ler cada capitulo do livro é como tentar resolver aquelas charadinhas infantis do tipo “o que é um pontinho amarelo no meio do mar?” É conhecer um pouco de cada grupo social desse: Autistas, Surdos, Deficientes Fisicos, Esquizfrênicos, Vitimas de estupro e seus filhos, Criminosos, Crianças Prodigio, Anões, Sindrome de Down, Trangeneros, tanto pela parte superficial, visivel a quanto pelos questionamentos, regras e caminhos mais internos norteadores dessas comunidades.
           O que me chamou bastante atençao foi o fato de que por mais distintas a natureza e a dinâmica desses grupos sociais, há muito em comum tanto no olhar interno, ou seja, na visão daqueles integrantes militantes das causas de cada grupo como no olhar externo, da sociedade como um todo. Há todo um processo psiquico que se compararmos encontraremos muitos pontos de contato: Há o estranhamento inicial, às vezes há rejeição, e depois a decisão: ou aceita-se o sujeito como ele é e o acolhe, ou como acontece em casos em que a família percebe que o desafio é muito grande para ela: O institucionaliza. Os caminhos são parecidos, mas como as da folha de uma arvore, seguem ramificaçoes diferentes.
             O caminho para que conheçamos essas minunciosas semelhanças , desenrola-se como uma espiral. É bem comum que existam polêmicas como a resolução de se fazer (ou não) numa criança surda a cirurgia do Implante Coclear,o alongamento dos membros, no caso dos anões ou a cirurgia de mudança de sexo nos jovens e adultos trangeneros, só para citar alguns exemplos.
             A polêmica muitas vezes se expressa no fato de que, excetuando a cirurgia de mudança de sexo, que só é permitida em jovens já maduros, as outras duas intervençoes são feitas quando o indivíduo ainda é um bebê, no caso do implante coclear ou na transição da infancia para a adolescência , no caso do alongamento dos membros, afim de que se possa aproveitar o desenvolvimento neurológico e fisico, respectivamente e assim ter um resultado melhor das intervençoes. Se por um lado essa decisão pode colaborar para uma qualidade de vida melhor dos pacientes, há quem diga também que essas são formas de extinguir a população Surda, Anã ou de Transgeneros.
               Já as diferenças aparecem na gravidade de cada caso, sob o ponto de vista clinico, nas dificuldades encontradas pelos familiares do sujeito em questão(Pessoa Surda, com Deficiência, ou com alguma questão de gênero, etc) para construir sobre e com ele uma boa visão e uma relação tanto afetiva, como colaborativa que contribuirá - e muito- para o desenrolar sempre contínuo do processo dele de encontrar o seu lugar no mundo. É o amor e a energia que os familiares e profissionais empregam para a construção do olhar desse sujeito sobre si mesmo e sua condição no mundo, em outras palavras, da sua identidade. Afinal de contas, as singuaridades que tornam o sujeito único devem ser observadas e respeitadas.
                Identidade esta que se solidifica na medida que se consegue ferramentas psicoemocionais para forjar (só para utilizar uma palavra usada por Solomon em uma de suas falas em video assistidas complementariamente à leitura do livro.) as más experiências em boas e abrir caminhos para compartilhar as suas experiências com outras pessoas, pois afinal, ninguém está sozinho nesse mundo.- É nesse processo que as pessoas constroem a sua caminhada.
           Outro ponto inportante, é que, essa pesquisa feita pelo autor, juntamente com uma equipe enorme de colaboradores, acaba modificando a sua forma de enfrentar os seus desafios existenciais, como ele bem relata- de forma emocionante- no fim do livro. Observar, refletirmos em como nosso trabalho pode ser produtivo para outras pessoas e nos empenharmos para que tudo dê certo nos ajuda a crescer como seres humanos.
              E, antes que eu me esqueça, o que é um pontinho amarelo no meio do mar? Rufles, a batata da onda! Pensar na resposta desta adivinha, somada à toda a experiência da leitura desse livro me faz lembrar o quanto é importante termos um tempinho para observar as pequenas coisas... De pequenas elas nos fazem ver qual é o nosso lugar no mundo. Viver, ajudar e aprender com os outros a sermos felizes!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

As Personagens com Limitações Fisicas na novela “Eta Mundo bom.”


              A pessoa que vos escreve não é noveleira. Mas, caminhando com o controle remoto pelos canais disponíveis na sua TV, parou na Globo, onde um garotinho na cadeira de rodas conversava com sua amiga, a quem chamava de “Fadinha”. Era mais um capítulo da novela “Eta mundo Bom”, do além de escritor, novelista Walcyr Carrasco.
As pistas aqui deixadas até então ajudam ao leitor a adivinhar o que vamos tratar este mês no Papiro de Luz? Isso mesmo. “As personagens com limitações físicas na novela “Eta Mundo Bom” Para aqueles que não acompanharam o folhetim em linhas gerais, explicamos como foi.
              O “Mundo Bom” da novela, é um mundo onde muitas das personagens buscam a sua felicidade, seja por meio licito ou ilicito; muitos vão pelo caminho prazeroso, na certeza de que dinheiro ou sexo trará a bem- aventurança. A primeira trilha a trilha do Money , construida através de “Golpes do Baú” onde temos duas personagens do sexo oposto. A segunda não tem tanto impacto, pelo fato de ser uma novela das 6, mas é tratada de uma forma cômica, meio cifrada, pelo núcleo da Fazenda D. Pedro II.
          É surpreendente acompanhar o crescimento das personagens que foram pelo bom caminho, cada um focado em um aspecto da felicidade: Amor ao próximo, boas relações com as pessoas ao redor, Amor próprio, aceitação do próprio corpo, contato com o Sagrado.
Bom, agora vamos ao tema central do nosso texto: As personagens com limitação física. Em Eta Mundo bom, temos três: O Cláudio(Xande de Valois)-O meninho de quem falamos no inicio do texto-, O Severo( Tarciso Flho) e O Celso( Reiner Cadete) É interessante observar o nivelamento da gravidade das sequelas e como os personagens lidam com isso no decorrer da trama.
         Claudio, no inicio da novela era andante, mas um acidente o deixou sem os movimentos das pernas. Seu desejo mais profundo era voltar a andar.
       O percurso para a realização dele foi longo, fantasiado, desejado, batalhado, realizado e possibilitou à personagem um amdurecimento não só físico mas, emocional também. Mostrado durante todo o periodo de exibição da trama, a novidade desta forma de retratar é que foi feito um detalhamento mais apurado do processo, de maneira que ficou claro que o exito não foi conseguido por vias milagrosas, mas a custo de muito esforço.
'     O pai, na busca dos recurso financeiros para a operação do filho,infringiu os seus valores morais e submeteu-se a ajudar a vilã Sandra(Flávia Alessandra) no golpe na sua tia, a dona
da fábrica de sabonetes onde ele trabalhava Dona Anastásia( Eliane Gardini).
      No tratamento pós- cirurgico, o menino também esforçou-se: sua força de vontade, aliada aos estimulos da familiia- o pai , Dr. Araújo( Flavio Tolezani) a cuidadora Olga( Maria Carol) e a amiga Alice- a Fadinha(Nathalia Costa ) contribuiram para que seguisse forte na fisioterapia. O processo foi uma caminhada dupla, enquanto fortalecia suas pernas, fortalecia também a sua autoestima.
     O Severo(Tarciso Meira Filho) um homem de de meia idade, vive num estado de amargura devido às nuances de sua vida, perdeu a mulher, expulsou a filha de casa porque esta ficou gravida de um homem que ele nem chegou a conhecer e ainda levou um golpe de seu filho Brás( Romulo Neto) e a Personagem Diana(Priscila Fantin). Este o ultimo acontecimento o fez infartar e como sequelas ficou com o lado direito do corpo paralisado e ao recobrar a movimentação ficou com algumas limitações de movimento. Neste periodo, o amor por Diana o fez deixar a sua rabugencia de lado.
       Por fim, Celso. Que embora não tenha nehuma deficiência sofre um atropelamento, fratura o femûr e fica uns dias engessado, na cadeira de rodas, em seguida de bengala, e depois já aparece sem o gesso e sem apoio nenhum. A ideia de que a vida continua apesar dos obstáculos, mesmo temporários fica claro depois da recuperação tranquila de Celso.
         Parabéns à equipe de Walcyr Carrasco pelo olhar sensível para a questão das limitações físicas. Elas não são impecilhos para ter vitória na vida. Pode-se sim ser feliz e aprender muito com elas. Se num primeiro momento elas parecem ser algo ruim, na vida , basta lembrar da frase dita Por uma das personagens de Marco Nanini, o Professor Pancrácio: “Tudo que acontece de ruim, na vida da gente é para melhorar.”

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O LADO “B” DA VIDA

O nome do livro traz uma cor vibrante que nos remete ao liquido que circula em nosso corpo, nos fornecendo a vida. Seu conteúdo nos faz pensar na sua outra face, não aquela analítica em que sempre os acontecimentos tem um significado lógico. - Esta é representada por um caso apenas, o do Escritor C.- Mas naquela que fica muito dificil entender o motivo das coincidências, dos encontros, dos desencontros.
O “Caderno Vermelho” nos conecta á existência desses episódios tão perfeitos em sua organização- como a história do apartamento onde a mãe e depois ele morou com um tempo – Mas que nos deixam surpresos, nos desestabilizam ou nos emocionam e se quisermos podemos levar um tempão refletindo sobre eles. Muitas vezes a beleza da vida está nesses momentos e a gente nem aproveita, porque só quer mesmo é saber o motivo daquele episódio.
Paul Auster diz que o que o motivou a escrever este livro foi que esses típicos acontecimentos sempre estiveram perto dele mesmo sem ele querer. Talvez por isso o tom de seu discurso narrativo soe tão natural, longe do que encontramos em publicações como a Revista Seleçoes Read´s Digest, na qual, mesmo dizendo que as histórias são reais, o tom dos relatos soa muito sensacionalista. A naturalidade nos faz lembrar que isso faz parte do curso da vida e que por mais que sejam fortes essas experiências, não devemos desprezá-las.
De maneira geral, tem-se um Nistalgmo voluntário para esse tipo de episódio, voltarmos nossa atenção para eles, nos proporcionará mais completude no nosso bem-viver.
O que é Nistalgmo? Vocês perguntariam. Permitam-me narrar um pequeno episódio veridico que vai bem na linha dos registros contidos no “Caderno Vermelho”:
Eu estava iniciando meu curso de Graduação em Letras, assistindo uma das primeiras aulas. De repente uma colega viu da janela da sala uma linda coruja. A turma era pequena e todos quisemos ver o animal. Eu não conseguia ver porque, por mais que me esforçasse o Nistalgmo não me ajudava. Me tranquilizei e expliquei para os meus colegas. Todos se empenharam em me dar referências de onde a coruja se encontrava, até que consegui focar o olhar e vê-la. Muita emoção. A coruja é o simbolo do nosso curso e nos sentimos presenteados naquele dia .
Pois é. Nistalgmo é a dificuldade em controlar voluntariamente o movimento dos olhos, de focar o olhar em um ponto. Ler esse livro me fez lembrar do quanto proveitoso prestar atenção no lado B da vida.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O que você faria numa situação dessa?

Um objeto inanimado que sente frio
Huna Pires
Dedicado à Colega Tassia Maia 


Oi rapaziada, tudo bem? Ninguém diz nada? Opa! Esqueci de me apresentar! Vejam se advinham quem eu sou: na minha barriga tem um monte de quadradinho com a numeração de 1 a 9 mais um zero, asterisco e outra teclazinha de comando. Na minha cabeça, um grande visor, que quando iluminado traz o menu com todas as tarefas que sou capaz de fazer. Consultar  agenda, realizar chamadas, mandar torpedos.... Já deu, né? Acertou quem disse que eu era um celular.
Pois é. Minha vida  iria ser igual a de qualquer outro irmão meu se não fosse uma coisa: Sinto frio . O irmão da minha dona que me deu de presente pra ela porque, como vocês dizem, eu sou daqueles que são compatíveis com qualquer operadora. Não tenho bloqueios. .
Fui bem comportado no início , mas bastou minha dona me lever pra faculdade, praquelas salas com aquele négócio de ar-condicionado que o bicho pegou. E continua pegando.
Quando sinto frio, apago, não dou nenhum sinal, até que ela realize em mim uma empreitada cirúrgica de me abrir tirar minha bateria e depois de um tempo remontar de novo. Ou, quando não dá, ela me esfrega na blusa dela, até conseguir me trazer á  consciência.
Todos os dias  antes de sair de casa, peço ao Santo TIM e a Nossa senhora Claro que me protejam. Lá no nosso mundo, diferente do de vocês, as operadoras são as nossas religiões. Meu pai mesmo é da OI, minha mãe da TIM  e meu irmão da Vivo. Eu sirvo a vivo e a TIM. Brigas por causa disso? Não temos. Cada um segue o caminho que quer.
Ás vezes me pergunto se... Não, não estou cantando a musica “Inesquecível” rsrsrsr de fato me questiono porque que eu sinto frio, se esta é uma qualidade dos seres vivos. E o pior é que, pelo que andei apurando, é bem próximo do que os humanos sentem. Tem um amigo meu, cuja dona que faz aula de canto, não consegue soltar a voz quando está com frio... Que medo! E eu que literalmente apago?
Chego á conclusão de  que sou portador de necessidade especial, assim como outro irmão meu que não toca, as vezes vibra e quando não vibra acende uma luzinha no visor para avisar á minha dona que tem alguém ligando. Pelo menos não estou sozinho nessa.
Bom galera, eu sei que vocês  adoraram conversar comigo. Mas eu preciso ir, minha dona vai pra aula agora e eu, pelo visto, vou apagar.Ah, minha dona, quer uma sugestão? Porque você não compra uma daquelas capinhas bem quentinhas pra mim?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dica: Lixo Extraordinário, Filme de João Jardim

Tem gente que diz:
"Não vou perder meu tempo com lixo"
Ta certo. Não perca.
Mas eu não to falando do lixo que não presta. To falando do lixo que tem vida útil, que como as nossas perspectivas que idealizamos  todo inicio de ano, são renovados, transformados em objetos novos. Aláis a proposta do filme é essa: mudar a perspectiva dos personagens dos filme e dos espctadores que o assistem.
Do mesmo diretor do brilhante Janela da Alma, o filme mostrac omo  a triste realidade dos catadores de lixo-  ou como eles mesmos se denominm os " Catadores Materiais recilaveis" - que trabalham no  Jardim do Gramacho, o maior aterro sanitário do mundo, localizado no Rio de Janeiro,   é transformada, através do fascinante trabalho do Fotografo Brasileiro, radicado nos EUA, Vick Muniz.
Quer saber como? Ora meu caro, tire o preconceito com relação ao lixo da sua mente  e vá ao cinema! garanto, não é perda de tempo!