Gostaria de começar
esse texto fazendo uma advertência. Não sou a favor da gravidez
precoce, mas apoio de pés juntos um outro tipo de gestação, a
qual chamarei de “Gravidez Criativa”- e no caso aqui descrito -
precoce.
Precoce porque
surge em um tempo em que há ainda muita fantasia e imaginação
sobre o que se quer ser quando crescer: A criança que pensava em ser
dentista pode vir a ser professora na vida adulta, por exemplo. E
outra coisa: Menino também pode ter uma “gravidez criativa.” Um
exemplo bem interessante de gravidez criativa é o de Alexandre
Zaider Landin, que aos 7 anos de idade escreveu um livro para ajudar
a sua irmã Rafaela, que tem paralisa cerebral. Ela precisava usar
òculos, mas não queria, com o argumento de que as Princesas dos
Contos de Fada não os usavam. Ele escreveu uma história de uma
princesa que usava óculos. A irmã, depois de ler a história,
passou a usar esse objeto que aperfeiçoa a visão. Não sei se
Alexandre Landin teve outros “filhos criativos” depois desse
livro, mas...
O caso é que eu
tive uma “Gravidez Criativa”, aliás, duas no mesmo ano. Sim, eu
era um pouco mais velha que o Alexande Landin quando publiquei o meu
primeiro livro. Aos 13 anos de idade escrevi o “Vida Minha-
Experiências e dicas”. Depois compus uma canção que
ganhou o festival de música da escola em
que estudava. Mas esta história fica para um outro texto.
Hoje 22 de
Fevereiro de 2018 esse meu “primeiro filho” completa seus 20 anos
de idade. O nome (titulo) foi escolhido pelo avô, meu pai. Os
assuntos dos capítulos surgiram durante viagem para Garapuá,
lugarzinho bonito, perto de Valença com praia, ar puro, natureza,
silencio só encontrado na cidade grande por meio da introspecção.
Eu podia não saber
falar dificil - IN- TROS- PEC-ÇÃO. Mas já sabia como era gostoso
relaxar, respirar fundo, ouvir música e (ouvir) o silêncio.
Algumas das minhas reflexões eram: “A televisão ajuda a educar?”;
“Escrever o que a gente pensa é muito bom”; “Tomar muito
sorvete no verão é bom?”; “As cores são muito importantes
para a nossa vida”; e fiz uma homenagem ao Egito Antigo com a minha
versão para a história da “Origem dos números”.
Somando de pouqinho
em pouqinho, foram 14 mini-cronicas (que eu só vim a saber que eram
crônicas quando recebi o documeno do registro dos direitos autorais
feito na Biblioteca Nacional) e um conto. Gerados em 4 dias, depois
de um daqueles desejos tipicos de grávida criativa: “Pai, eu quero
escrever”. Insisti tanto que ele me deu uma agenda velha. E lá fui
eu pra debaixo de uma amendoeira defronte do mar, que contemplava por
alguns instantes e colocava a caneta em ação sobre a agenda
velha....
Fiz amizade com uma
menina nascida em Garapuá, Iraildes dos Santos Pimentel, e
escrevemos juntas o capitulo sobre as parlendas - tipo de poesia
popular que eu gostava muito.
Foi um
processo bom, gostoso de fazer e sentir, ficou mais bonito ainda com
as ilustraçoes do meu amigo Gabriel César dos Santos, com a ediçâo
gráfica de Washington Falcão, da Idea Desingn e com a foto da minha
amiga Ieda Marques.
Filho,
mamãe ama você, continua circulando por ai, fazendo companhia para
outras crianças. Quem sabe se não aparecem outras gestações
criativas?\
