A
Árvore da Vida
O
livro “Longe da Arvore”, de Andrew Solomon traz para nós uma
importante reflexão sobre como a sociedade vê os diferentes, que
por fugirem a norma, são marginalizados, de alguma forma, mesmo que
a sociedade, em seu caminho de amadurecimento já consiga falar de
inclusão e proporcionar a alguns desses nichos a oportunidade de
iniciar a trajetoria de ascensão social, através de um emprego,
possibiblidade de interagir com outras pessoas neste ambiente,
melhorar sua autoestima desenvolver -se plenamente, numa relação
bio-psico-social.
Ler
cada capitulo do livro é como tentar resolver aquelas charadinhas
infantis do tipo “o que é um pontinho amarelo no meio do mar?” É
conhecer um pouco de cada grupo social desse: Autistas, Surdos,
Deficientes Fisicos, Esquizfrênicos, Vitimas de estupro e seus
filhos, Criminosos, Crianças Prodigio, Anões, Sindrome de Down,
Trangeneros, tanto pela parte superficial, visivel a quanto pelos
questionamentos, regras e caminhos mais internos norteadores
dessas comunidades.
O que me chamou bastante atençao foi o fato de que por mais
distintas a natureza e a dinâmica desses grupos sociais, há muito
em comum tanto no olhar interno, ou seja, na visão daqueles
integrantes militantes das causas de cada grupo como no olhar
externo, da sociedade como um todo. Há todo um processo psiquico
que se compararmos encontraremos muitos pontos de contato: Há o
estranhamento inicial, às vezes há rejeição, e depois a decisão:
ou aceita-se o sujeito como ele é e o acolhe, ou como acontece em
casos em que a família percebe que o desafio é muito grande para
ela: O institucionaliza. Os caminhos são parecidos, mas como as da
folha de uma arvore, seguem ramificaçoes diferentes.
O
caminho para que conheçamos essas minunciosas semelhanças ,
desenrola-se como uma espiral. É bem comum que existam polêmicas
como a resolução de se fazer (ou não) numa criança surda a
cirurgia do Implante Coclear,o alongamento dos membros, no caso dos
anões ou a cirurgia de mudança de sexo nos jovens e adultos
trangeneros, só para citar alguns exemplos.
A polêmica muitas vezes se expressa no fato de que, excetuando a
cirurgia de mudança de sexo, que só é permitida em jovens já
maduros, as outras duas intervençoes são feitas quando o indivíduo
ainda é um bebê, no caso do implante coclear ou na transição da
infancia para a adolescência , no caso do alongamento dos membros,
afim de que se possa aproveitar o desenvolvimento neurológico e
fisico, respectivamente e assim ter um resultado melhor das
intervençoes. Se por um lado essa decisão pode colaborar para
uma qualidade de vida melhor dos pacientes, há quem diga também que
essas são formas de extinguir a população Surda, Anã ou de
Transgeneros.
Já as diferenças aparecem
na gravidade de cada caso, sob o ponto de vista clinico, nas
dificuldades encontradas pelos familiares do sujeito em
questão(Pessoa Surda, com Deficiência, ou com alguma questão de
gênero, etc) para construir sobre e com ele uma boa visão e uma
relação tanto afetiva, como colaborativa que contribuirá - e
muito- para o desenrolar sempre contínuo do processo dele de
encontrar o seu lugar no mundo. É o amor e a energia que os
familiares e profissionais empregam para a construção do olhar
desse sujeito sobre si mesmo e sua condição no mundo, em outras
palavras, da sua identidade. Afinal de contas, as singuaridades que
tornam o sujeito único devem ser observadas e respeitadas.
Identidade esta que se solidifica
na medida que se consegue ferramentas psicoemocionais para forjar
(só para utilizar uma palavra usada por Solomon em uma de suas
falas em video assistidas complementariamente à leitura do livro.)
as más experiências em boas e abrir caminhos para compartilhar as
suas experiências com outras pessoas, pois afinal, ninguém está
sozinho nesse mundo.- É nesse processo que as pessoas constroem a
sua caminhada.
Outro
ponto inportante, é que, essa pesquisa feita pelo autor, juntamente
com uma equipe enorme de colaboradores, acaba modificando a sua forma
de enfrentar os seus desafios existenciais, como ele bem relata- de
forma emocionante- no fim do livro. Observar, refletirmos em como
nosso trabalho pode ser produtivo para outras pessoas e nos
empenharmos para que tudo dê certo nos ajuda a crescer como seres
humanos.
E,
antes que eu me esqueça, o que é um pontinho amarelo no meio do
mar? Rufles, a batata da onda! Pensar na resposta desta adivinha,
somada à toda a experiência da leitura desse livro me faz lembrar o
quanto é importante termos um tempinho para observar as pequenas
coisas... De pequenas elas nos fazem ver qual é o nosso lugar no
mundo. Viver, ajudar e aprender com os outros a sermos felizes!