terça-feira, 30 de agosto de 2016

As Personagens com Limitações Fisicas na novela “Eta Mundo bom.”


              A pessoa que vos escreve não é noveleira. Mas, caminhando com o controle remoto pelos canais disponíveis na sua TV, parou na Globo, onde um garotinho na cadeira de rodas conversava com sua amiga, a quem chamava de “Fadinha”. Era mais um capítulo da novela “Eta mundo Bom”, do além de escritor, novelista Walcyr Carrasco.
As pistas aqui deixadas até então ajudam ao leitor a adivinhar o que vamos tratar este mês no Papiro de Luz? Isso mesmo. “As personagens com limitações físicas na novela “Eta Mundo Bom” Para aqueles que não acompanharam o folhetim em linhas gerais, explicamos como foi.
              O “Mundo Bom” da novela, é um mundo onde muitas das personagens buscam a sua felicidade, seja por meio licito ou ilicito; muitos vão pelo caminho prazeroso, na certeza de que dinheiro ou sexo trará a bem- aventurança. A primeira trilha a trilha do Money , construida através de “Golpes do Baú” onde temos duas personagens do sexo oposto. A segunda não tem tanto impacto, pelo fato de ser uma novela das 6, mas é tratada de uma forma cômica, meio cifrada, pelo núcleo da Fazenda D. Pedro II.
          É surpreendente acompanhar o crescimento das personagens que foram pelo bom caminho, cada um focado em um aspecto da felicidade: Amor ao próximo, boas relações com as pessoas ao redor, Amor próprio, aceitação do próprio corpo, contato com o Sagrado.
Bom, agora vamos ao tema central do nosso texto: As personagens com limitação física. Em Eta Mundo bom, temos três: O Cláudio(Xande de Valois)-O meninho de quem falamos no inicio do texto-, O Severo( Tarciso Flho) e O Celso( Reiner Cadete) É interessante observar o nivelamento da gravidade das sequelas e como os personagens lidam com isso no decorrer da trama.
         Claudio, no inicio da novela era andante, mas um acidente o deixou sem os movimentos das pernas. Seu desejo mais profundo era voltar a andar.
       O percurso para a realização dele foi longo, fantasiado, desejado, batalhado, realizado e possibilitou à personagem um amdurecimento não só físico mas, emocional também. Mostrado durante todo o periodo de exibição da trama, a novidade desta forma de retratar é que foi feito um detalhamento mais apurado do processo, de maneira que ficou claro que o exito não foi conseguido por vias milagrosas, mas a custo de muito esforço.
'     O pai, na busca dos recurso financeiros para a operação do filho,infringiu os seus valores morais e submeteu-se a ajudar a vilã Sandra(Flávia Alessandra) no golpe na sua tia, a dona
da fábrica de sabonetes onde ele trabalhava Dona Anastásia( Eliane Gardini).
      No tratamento pós- cirurgico, o menino também esforçou-se: sua força de vontade, aliada aos estimulos da familiia- o pai , Dr. Araújo( Flavio Tolezani) a cuidadora Olga( Maria Carol) e a amiga Alice- a Fadinha(Nathalia Costa ) contribuiram para que seguisse forte na fisioterapia. O processo foi uma caminhada dupla, enquanto fortalecia suas pernas, fortalecia também a sua autoestima.
     O Severo(Tarciso Meira Filho) um homem de de meia idade, vive num estado de amargura devido às nuances de sua vida, perdeu a mulher, expulsou a filha de casa porque esta ficou gravida de um homem que ele nem chegou a conhecer e ainda levou um golpe de seu filho Brás( Romulo Neto) e a Personagem Diana(Priscila Fantin). Este o ultimo acontecimento o fez infartar e como sequelas ficou com o lado direito do corpo paralisado e ao recobrar a movimentação ficou com algumas limitações de movimento. Neste periodo, o amor por Diana o fez deixar a sua rabugencia de lado.
       Por fim, Celso. Que embora não tenha nehuma deficiência sofre um atropelamento, fratura o femûr e fica uns dias engessado, na cadeira de rodas, em seguida de bengala, e depois já aparece sem o gesso e sem apoio nenhum. A ideia de que a vida continua apesar dos obstáculos, mesmo temporários fica claro depois da recuperação tranquila de Celso.
         Parabéns à equipe de Walcyr Carrasco pelo olhar sensível para a questão das limitações físicas. Elas não são impecilhos para ter vitória na vida. Pode-se sim ser feliz e aprender muito com elas. Se num primeiro momento elas parecem ser algo ruim, na vida , basta lembrar da frase dita Por uma das personagens de Marco Nanini, o Professor Pancrácio: “Tudo que acontece de ruim, na vida da gente é para melhorar.”

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O LADO “B” DA VIDA

O nome do livro traz uma cor vibrante que nos remete ao liquido que circula em nosso corpo, nos fornecendo a vida. Seu conteúdo nos faz pensar na sua outra face, não aquela analítica em que sempre os acontecimentos tem um significado lógico. - Esta é representada por um caso apenas, o do Escritor C.- Mas naquela que fica muito dificil entender o motivo das coincidências, dos encontros, dos desencontros.
O “Caderno Vermelho” nos conecta á existência desses episódios tão perfeitos em sua organização- como a história do apartamento onde a mãe e depois ele morou com um tempo – Mas que nos deixam surpresos, nos desestabilizam ou nos emocionam e se quisermos podemos levar um tempão refletindo sobre eles. Muitas vezes a beleza da vida está nesses momentos e a gente nem aproveita, porque só quer mesmo é saber o motivo daquele episódio.
Paul Auster diz que o que o motivou a escrever este livro foi que esses típicos acontecimentos sempre estiveram perto dele mesmo sem ele querer. Talvez por isso o tom de seu discurso narrativo soe tão natural, longe do que encontramos em publicações como a Revista Seleçoes Read´s Digest, na qual, mesmo dizendo que as histórias são reais, o tom dos relatos soa muito sensacionalista. A naturalidade nos faz lembrar que isso faz parte do curso da vida e que por mais que sejam fortes essas experiências, não devemos desprezá-las.
De maneira geral, tem-se um Nistalgmo voluntário para esse tipo de episódio, voltarmos nossa atenção para eles, nos proporcionará mais completude no nosso bem-viver.
O que é Nistalgmo? Vocês perguntariam. Permitam-me narrar um pequeno episódio veridico que vai bem na linha dos registros contidos no “Caderno Vermelho”:
Eu estava iniciando meu curso de Graduação em Letras, assistindo uma das primeiras aulas. De repente uma colega viu da janela da sala uma linda coruja. A turma era pequena e todos quisemos ver o animal. Eu não conseguia ver porque, por mais que me esforçasse o Nistalgmo não me ajudava. Me tranquilizei e expliquei para os meus colegas. Todos se empenharam em me dar referências de onde a coruja se encontrava, até que consegui focar o olhar e vê-la. Muita emoção. A coruja é o simbolo do nosso curso e nos sentimos presenteados naquele dia .
Pois é. Nistalgmo é a dificuldade em controlar voluntariamente o movimento dos olhos, de focar o olhar em um ponto. Ler esse livro me fez lembrar do quanto proveitoso prestar atenção no lado B da vida.